O Mistérios o tempo em poesia

O Mistérios o tempo em poesia

Não há livros de poesias em vitrines de livrarias. Se há, é fato raro, quase que único na paisagem das compras. E se a poesia não é consumida em caráter privado, por meio dos dispositivos de entrega convencionais do mercado, ela é consumida – ou oferecida ao consumo – em público.

Foi isso que aconteceu com “O Mistério O Tempo em Poesias”, exposição de caráter multimodal do artista CA CAU, instalada na Estação Ipanema, Metrô Rio. O curioso é que como se fosse para fazer jus a sua proposta multiforme e de “não lugar”, tendo em vista o fato de ser itinerante, a exposição localizou-se entre duas importantes referências geográficas cariocas: a Praia de Ipanema e o Morro do Cantagalo.

No ultimo dia 1 de maio, houve uma das performances mais notávesi idealizadas por CA CAU. O grupo no qual tinha no elenco Aline Fontenelle, Marcus Liberato e Ingrid Medeiros além dos músicos Felipe Abdo e Daniel Rebel surpreendeu a todos que passavam peo espaço. O espetáculo chamado O MISTERIOOTEMPOEMPOESIA chamou a atençao por sua delicadeza e pelo seu figurino: simples porêm rico. As poesias e as musicas foram muito bem elaboradas.

A exposição começou no dia 12 de abril e foi até 5 de junho. De segunda a domingo das 10 até 20 horas. O local foi A Estação do Metrô da General Osório em ipanema. Um lugar bem alternativo!

A exposição multimídia do artista Cacau Brasil, exibida em um túnel montado em uma das passarelas da Estação da Luz (São Paulo) e General Osório Ipanema (Rio de Janeiro), que contou com audiodescrição e material informativo em braille e letra ampliada. A mostra foi amplamente visitada por pessoas com deficiência, bem como pela população que transitava pelo espaço, que relatou muitas vezes nunca ter tido a oportunidade de visitar uma exposição ou museu, e que a audiodescrição possibilitou a compreensão e a fruição da arte.

“O principal destes pilares de sustentação é a poesia como mãe de todas as artes (mão que afaga, lâmina que corta) mas que se amplia com a plasticidade variada, com a visualidade que sustenta um comportamento estético atual.”

Crítica de Arte

Aberta à visitação primeiramente em Fortaleza (2007), a exposição é um exemplo de arte multimídia, na qual o público tem acesso a 15 painéis trabalhados em óleo sobre tela com técnica mista e vídeo-instalação que propõe uma vivência espacial através da exibição de um vídeo com símbolos e ambientes imaginários. Também podem ser vistos os pilares da poesia – importante passagem sensorial que a exposição traz aos visitantes, além da performance cênico-musical, onde os próprios atores tornam-se parte da obra de CA CAU.

Os pilares que sustentam a constituição poético-visual da mostra/instalação OMISTERIOOTEMPOEMPOESIAS, do artista CA CAU, são os mesmos dos eventos homônimos ocorridos anteriormente em Fortaleza, Ceará e na Estação da Luz, na extensão do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Mas a versão que chega à Estação Ipanema do Metrô Rio vem revitalizada e aperfeiçoada. A opção por estes ‘não lugares’, passagens diária de multidões anônimas, tem sido um diferencial importante de suas apresentações, que provocam nos indivíduos o resgate da poesia perdida no cotidiano da metrópole.

O principal destes pilares de sustentação é a Poesia como ‘Mãe das Artes’ (mão que afaga, lâmina que corta), mas que se amplia com a plasticidade variada, com a visualidade que sustenta um comportamento estético atual. Ao remeter ao alfabeto e aos signos, CA CAU ajuda a tecer esta rede de conexões, onde a Pintura, a Performance e a Vídeoarte se instalam com ressonâncias múltiplas, induzindo o espectador a mergulhar nas muitas faces do “anjo torto” no qual se confundem o celestial e o infernal. CA CAU retoma estas e outras questões utilizando-se da Poesia Nua, sem artificialidades, impregnando Música, Teatro e Artes Visuais de referências alusivas ao surgimento dos signos e das palavras, aludindo à Genesis, mas também ao Caos.

Estes pontos são percebidos na instalação cênica com pinturas, vídeos, sonoridades e nas intervenções performáticas mostradas agora nesta passagem pública, como também nas ações que se irradiam deste epicentro, entre elas a da acessibilidade, prioridade nas últimas exibições do artista.

As palavras-signos flutuantes, grafadas ou pintadas, são ações que se fundem nesta obra aberta, que mescla Poesia, Pintura, Instalação, Música, Vídeo e Performance, sublinhando a arte de CA CAU em suas múltiplas possibilidades, através do “olho que tudo vê”.

Os múltiplos e comunicativos aspectos da arte de CA CAU chegam ao Rio como elemento ampliador de percepções individuais, oferecendo asas a todos os que transitam diariamente por este ponto nevrálgico da metrópole carioca.

Paulo Klein
Crítico de Arte/ Curador
Association Internationale des Critiques D’ Art – AICA/Unesco
Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA

Habilidades

, , , , ,

Postado em

5 de janeiro de 2018